terça-feira, 5 de abril de 2011

'Odiosa Natureza Humana'.



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Desde o post que fiz sobre a discografia da Maldita, não fiz mais nenhuma análise de discos. Como vocês podem ver, ninguém comenta nesse blog mas muita gente olha! kkk O post de análise teve uma boa repercussão entre os fãns da banda, o próprio Leandro Paim, o Lereu, me encheu de orgulho e me deixou super metida ao dizer que fui uma das pessoas a compreender melhor o que a banda quer dizer. Meus amigos músicos que pararam pra ouvir a banda e concordaram com o que eu disse em termos de análise (não digo que eles acharam a banda boa ou ruim). O motivo de eu não ter feito nenhum outro após aquele é que a idéia foi tão boa, que resolvi guardar para um novo blog que está em construção: o Shuffle-me, que é pra falar de música mesmo, e não só de análises de disco como de shows, dicas, clipes e etc. O problema é que, como meus gêmeos companheiros de blog também estudantes de arquitetura sabem, é que o tempo tá foda! Sendo assim, resolvi continuar com os posts de análise de disco. Matanza é com certeza é uma das minhas bandas favoritas e os planos para analisar a discografia completa surgiram até antes do blog ficar pronto, porém, hoje falarei apenas do disco mais recente, da turnê atual, o Odiosa Natureza Humana. O motivo da antecipação dessa análise é o show que vai acontecer aqui em Recife, dia 30 de abril no APR club, promovido pela produção do Abril pro Rock, e como eu estarei lá linda com minhas amigas matanzetes (aff kkq), não quero nem posso nem vou postar no calor do momento!



A princípio, um resumo do que eu penso da banda e dos discos anteriores;
Matanza se define como uma banda de Counrtycore, que seria country + hardcore, e surgiu da idéia de Donida e Jimmy de "explorar melodias simples e diretas" como na fase inicial da carreira de Johnny Cash (que podemos ver, tem uma grande influência neles). O Matanza tem uma característica que foi a primeira coisa a me prender a banda: eles criam histórias, situações para as músicas. Letras como as de "Santanico" (parte 1), do segundo disco da banda, Santa Madre Cassino, que incitam a imaginação, a música somada a detalhes expressados na letra te "transportam" para uma cidadezinha ao crepúsculo no faro oeste amaldiçoada por lobisomens, para saloons lotados de beberrões "grossos e mal educados" que se derretem em segredo por mulheres que roubam caminhões. Porém, por trás de situações que muitas pessoas podem julgar fantasiosas e sem lógica, é possível ver muita coisa de sentimento. "Mesa de Saloon", uma das minhas músicas favoritas, fala de um homem que acaba de sair da cadeia e encontra com sua mulher ladra que ama, rouba um banco, dirige em alta velocidade e embriagada, tem certeza que isso não pode ser encontrado na vida real até com muita frequência? Que atire a primeira pedra quem não teve, ou conhece alguém que teve um amor bandido de te levar as situações mais loucas e de querer arrancar os cabelos da cabeça de tanto tédio no final. Com o passar do tempo e dos discos, a banda vai assumindo um caráter de pessimismo e raiva cada vez maior. Enquanto por um lado o escárnio e e o ódio ficam mais explícitos em letras como "Pé na porta, soco na cara", "Maldito Hippe Sujo", "Todo o ódio da vingança de Jack" e "Matarei". Por outro lado as músicas "românticas" tornam-se mais românticas, menos disfarçadas (como é o caso de "Ela roubou meu caminhão"), por exemplo; "O Último Bar", "Taberneira, traga o Gim" e "Bota com buraco de bala". O disco seguinte, terceiro da banda é um tributo em inglês a Jonny Cash, chamado "To Hell With Johnny Cash" que querendo ou não é um separador de águas para a carreira da banda. Depois desse disco o Matanza grava "Arte do Insulto", dono de letras e músicas mais pesadas, menos puxadas para o estilo country dos discos anteriores, e "Matanza ao vivo" promovido pela MTV, que na minha opinião, depois do Santa Madre Cassino, é um dos melhores discos. As falas do Jimmy entre uma música e a outra são ótimas, traduzem pra um monólogo disfarçado de conversa muito do que o Matanza representa pra mim, indico super!

 1. Remédios Demais/ 2. Em Respeito ao Vício / 
 3. Ela não me Perdoou / 4. Escárnio / 5. Tudo Errado /
 6. Saco Cheio e Mau Humor / 7. Odiosa Natureza Humana /
 8. Carvão, Enxofre e Salitre / 9. Amigo Nenhum
10. Conforme disseram as Vozes/ 11. Melhor sem Você / 
12. A menor paciência / 13. O Bebum Acabado

 Compre o disco no site da banda:
 ouça músicas do disco no myspace da banda: 

Odiosa Natureza Humana era tudo o que se podia esperar de letras que tem abandonando gradativamente o que restava de otimismo. Retratam situações e sentimentos conhecidos de uma pessoa que está em uma fase bem ruim. Mesmo as músicas que tem uma estrutura mais "alegrinha" como o caso de "Ela não me Perdoou" e "Conforme disseram as vozes" não tem temáticas felizes. Ok, tá certo que felicidade definitivamente não é um tópico recorrente (ou seria existente?) nas letras do Matanza, mas mesmo nos últimos discos ainda restava uma ponta de "esperança", que neste, é substituída por conformismo e isolamento. No release do disco disponível para download no site da banda, Donida diz: "O Matanza, com “Odiosa Natureza Humana”, ordena auto-crítica ao demonstrar, através da crônica, um perfil feio e sujo do ser humano que revela-se comum à todos, ainda que isso extrapole o aceitável pela grande maioria." Odiosa Natureza Humana tem essa temática fundamental, não dá pra fugir dela nem tratá-la como algo ruim, é apenas um ponto de vista, em termos de letra, mais pessimista. No que diz respeito a sonoridade, a pegada country tem desaparecido um pouco desde "A Arte do Insulto", mas ainda é presente, principalmente na guitarra. A bateria é rápida e marcada, o baixo é forte, quase brutal. Na grande maioria das músicas essas características são predominantes, passando por leves alterações de intensidade, oscilando entre o hardcore mais pesado e o a pegada do country de maneira proporcional a intensidade "negativa" da letra. Considero o Odiosa Natureza Humana, um disco muito bom, não sei se porquê minha análise possa ter sido sabotada pelo meu estado emocional atual, mas é! Em certos aspectos é menos rico de detalhes do que os anteriores, mas que traz um caráter específico a esse momento da carreira do Matanza.


Próximo post: Origens do Rock and Roll #2 - Influência do Country no surgimento do Rock  (05/04/2011 às 18:30)
Post da série sobre o Rock: Origens do Rock and Roll #1 - Como surgiu o R&B e sua influência no Rock 
Ao som de: * Post feito ao som da discografia completa da banda como base de pesquisa

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