Fetichista e sem conteúdo? Fotografia incrível e trilha sonora que se encaixa perfeitamente? Sucker Punch - Mundo Surreal é, dos filmes em cartaz nos cinemas nacionais atualmente, aquele que tem gerado mais polêmica no mundo virtual. Desde que o longa de Zack Snyder saiu, fui bombardeada de uma série de críticas vindas dos lugares (e pessoas) mais remotos (e também dos esperados). Eu, que detesto ver opiniões alheias antes de assistir os filmes, acabei por não ter escapatória. Isso porque ainda acho que sofro forte influência das críticas dos outros no que diz respeito a filmes, então, depois de ler muuuuito e parar pra pensar bastante (sim, por isso o post está atrasado!). Minha primeira impressão ao sair da sala de cinema com @prefixopolli foi que o filme pecou por querer dar um caráter filosófico ao tema, para mim mais pareceu uma mistura de roteiro para videogame, ação e devaneios infantis. ESSA, foi minha idéia inicial e sem influência de ninguém, isso porque não tenho segurança nenhuma pra falar de cinema como se entendesse de cinema, mas a Polli entende, e até estuda isso, e me ajudou a encontrar umas coisas interessantes na imagem (:
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Para aqueles que não assistiram e estiverem interessados em opiniões,
façam por sua conta em risco, pois não sei opinar sem dar Spoiler!
Vou analisar o filme tendo como base dois aspectos que considero fundamentais pra compreensão de qualquer coisa: Emoção e Razão. Cinema é uma arte, e pra isso é preciso entender como ela mexe com a gente em relação a essas duas facetas. Que sentimentos transmite? E porque? Como meu emocional reage aquilo? Isso despertou meu raciocínio como e porque? Essas são algumas das perguntas que me guiam sempre que eu preciso analisar algo que enquadro como obra de arte. Em seguida, vou falar dos principais pontos fortes do filme na minha opinião, dar minha conclusão e listar vídeos interessantes para melhor compreensão do que o filme quer transmitir.
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| Cartazes de divulgação estilo vintage |
Emoção versus Razão.
O começo do filme me prendeu de maneira dúbia. Como explicar isso? Vamos lá; É possível enxergar uma influência clara dos HQ americanos na estrutura das cenas iniciais, a história de uma heroína que perdeu a família de maneira trágica e deseja vingança é misturada na medida certa com o conto de fadas onde a mocinha perde a mãe e fica a mercê de um vilão asqueroso. Enquanto a imagem remete aos quadrinhos em elementos como as cores e o enquadramento, a narrativa me lembra bastante a do filme Labirinto do Fauno, o qual eu gosto bastante e encontro outras semelhanças, como por exemplo a idéia do mundo de fantasia (que no exemplo anterior é do conto de fadas propriamente dito) mesclada com a atmosfera obscura (a guerra) e da loucura de Ofélia (que não é dada como certa no filme de Guilhermo del Toro). Por outro lado, o mesmo que me atrai - sim, eu gosto! - me deixou completamente situada do que estava vendo, uma história até certo ponto muito previsível. No decorrer do filme, com o surgimento das cenas de ação (a dança de Babydoll) eu fiquei impressionada no bom e no mal sentido: Enquanto os "gráficos" eram perfeitos, os melhores ângulos, cores lindas, ritmo que se encaixava perfeitamente até mesmo no significado das letras das músicas na trilha sonora em alguns momentos (que pra mim que não sei inglês, foi excelente o fato de conhecer - e idolatrar - a grande maioria delas), era orgástico, era sensacional, as referências, SAMURAIS gigantes com bazuca e metralhadora num Japão feudal (Bleach + Rurouni Kenshin?), ZUMBIS! Tecnológicos, verdade, sem "mire na cabeça", sem cérebros a serem comidos, mas ainda assim: zumbis nazistas! (o que foi aquele blitzkrieg?!). Um avião que levava cinco garotas para matar um filhote de DRAGÃO sendo atingido com bolas de fogo por catapultas de orcs num ambiente de castelo medieval. ROBÔS ASSASSINOS que protegem uma arma destrutiva programada para explodir uma cidade em outro planeta. Cada uma dessas realidades absurdas tinha sua imagem peculiar, o posicionamento das câmeras durante as fantasias dá um caráter único a cada uma delas, de Kill Bill à Senhor dos Anéis (com aviões), passando por uma cruza de Pearl Harbor e Resident Evil (com mecha-coelho-japonês-fofinho) aterrissando em Matrix com as Charlie Angels temos um mashup de cultura cinematográfica que deu certo E recheada de referências pop e nerd, quase que exclusivamente masculina (enfatizada pelas mini roupas), somado com o cuidado com os pequenos detalhes, como figurino, a trilha sonora perfeita, a fotografia que muda de tons frios para tons quentes. Tinha tudo pra ser perfeito, tinha tudo pra ser cansativo. Depois da segunda cena de ação, o brilho de todo aquele referencial interessante foi se apagando até se tornar quase tedioso, as danças de Babydoll que começavam sempre com o mesmo movimento e o mesmo olhar, que no começo era interessante, agora pareciam um loop eterno e monótono. O personagem do "sábio" que agia com "mestre" e repetia frases que eram pra parecer inteligentes. As cenas de ação eram videoclipes bem bolados que depois de um tempo ficavam enjoativos.
Fotografia:
Uma característica muito forte do diretor Zack Snyder é fazer da fotografia espetáculo a parte. A forma como era tratada a cor, passando de tons frios (realidade - hospício) para tons neutros (realidade "alternativa", fantasia nº 1 - bordel) e em seguida para tons quentes (fantasia nº 2 - em mundos estranhos). A câmera lenta foi muito usada, também é um traço forte do método de trabalho do diretor. Alguns críticos dizem que foi usada de maneira exaustiva, eu não acho. Ao menos de maneira consciente, os jogos de câmera lenta e normal não atrapalharam em nada a minha percepção sobre o filme, não achei negativo e considero até muito interessante, uma das cenas que mais me marcou no filme foi quando o botão do pijama de Babydoll cai, e rodopia no chão em foco antes de cair. O botão não é o personagem principal, mas é ele o protagonista dessa cena, ele, seu movimento e suas cores. Por trás do botão, é possível ver os pés e a presença opressiva do padrasto de Babydoll. É um jogo de foco, coloração e ângulos muito dinâmico e rico, e pra mim, sem dúvida nenhuma, a protagonista da execução do filme.
Trilha Sonora:
A trilha sonora foi o feijão do arroz, a coca-cola com batatas do big tasty, a metade da laranja, a alma gêmea perfeita para esse filme. Não eram apenas as falas de Sweet Pea que contavam a história, as letras eram de impacto fundamental nas cenas de maior foco da produção: as de ação. Nesses momentos do filme, a música passa ao primeiro plano sonoro, demarca o ritmo das lutas. Músicas como Sweet Dreams (do Eurythmics, popularizada pelo Marilyn Manson) Search and Destroy (The Stooges), um mashup de I Want it All e We Will Rock You (do Queen) e até Tomorrow Never Knows (dos Beatles!). Uma particularidade, é que a Emily Browning, atriz que interpreta Babydoll, canta e participa das versões de Sweet Dreams e Where is my mind? (também usada em Fight Club, The Pixies) e a moça tem uma voz muito bonitinha! Interessante é que, na minha opinião, isso ajudou MUITO a criar o caráter de identificação do personagem Babydoll com a trilha sonora. A música diz o que se passa na cabeça dela, apesar das fantasias serem a maneira de Sweet Pea de enxergar os acontecimentos (mesmo com todas as falhas nessa visão). É envolvente, é parte da estrutura fundamental da execução do filme, e com certeza, a parte que mais me cativou num contexto geral.
caso a playlist esteja dando erro, atualize o site, se acontecer de novo, entre em contato por favor!
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Figurino e Detalhes:
Já li e escutei muito por aí que o filme é feito para homens, discordo. Primeiro porque apesar da idéia de videogame e da ação, também aparecem os detalhes, o caráter feminino (presente nas personagens e nos diálogos delas) e a idéia de conto de fadas, que mesmo de aparecendo com menos foco, existe. O figurino é parte principal do que faz certas pessoas chamarem o filme de fetichista e masculino. O que muitas dessas pessoas que analisaram o filme dessa maneira não enxergam, é que as fontes de inspiração de Zack Snyder foram todas quase retiradas da cultura pop, da estética steampunk, do HQ e do mangá, e que nesses "mundos", a visão do feminino é sexy e forte, mistura inocência com a imagem da guerreira em roupas mínimas. E daí que elas usam roupas para nenhuma sexy shop especializada em fantasias colocar defeito? Faz parte do conceito da criação do filme, assim como detalhes de padronagens dos adornos nas armas, por exemplo. Isso também é retirado desses universos que falei antes, e não tem nada a ver com um caráter sexualizado, por isso acho importante analisar todas as fontes de inspiração de um artista antes de julgar a sua obra.
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| Emily Browning é Babydoll, Abbie Cornish é Sweet Pea, Jena Malone é Rocket, Jamie Chung é Amber e Vanessa Hudgens é Blondie |
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| cartaz de divulgação desenhado estilo HQ / mangá |
Sendo assim, fiquei confusa sobre O QUE concluir, ou o filme é genial e eu não consegui compreender por completo (ninguém tira da minha cabeça que vou assistir ele de novo! hmf) ou se ele é realmente o filme simples que entendi. Se for mesmo como imaginei, ACHO que o fim da história, pareceu ter sido tirado de um conto de fadas com lição de moral para crianças. Tudo que deveria ser uma história no filme, parecia simples e infantil, nada que merecesse todo esse alarde, como se fosse algo sensacional e que ninguém nunca viu. Não posso negar de jeito nenhum que o filme mexeu com a minha emoção no que diz respeito as imagens, as músicas e ao ritmo, os efeitos são impecáveis! De resto, não sei porque esperei mais, porque realmente acho que isso foi precipitado e até errado da minha parte, um filme precisa ser muito pra ser filosofia e pancadaria, não dá pra focar os dois no mesmo nível. Penso que todos nós ficamos mal acostumados com filmes de enredo simples com a função exclusiva de entretenimento, sem abrir caminhos para questionamentos filosóficos. Eu, entre essas pessoas :(
Ao dar play, clique no quadrado escrito "Video" e você poderá assistir os seguintes videos
(retirados do you tube das contas Were1Cinema , VisoTrailers e do blog Omelete):
• Trailer do Filme Sucker Punch
• Curta de Animação - Japão Feudal
• Curta de Animação - As Trincheiras
• Curta de Animação - Dragão
• Curta de Animação - Planeta Distante
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Links utilizados como referência:
Próximo post: ~Irmã Querida~ (10/10/2011 às 12:00hrs)
Ao som de: Sucker Punch Soundtrack









































@prefixopolli aqui!
ResponderExcluirMenina, eu não entendo de cinema, entendo bem pouco de cores e signos de linguagem, e só aehuiehiuehui :X
Mas esse filme tinha duas alternativas que provavelmente funcionariam melhor: ser só um curta, ou uma micro-série.
Ele colocou tanta coisa junta, que perdeu o objetivo e o foco. O exagero é visível.
Uma coisa que não lembro, quando a Gorski fala do trabalho que a Babydoll deu durante os seus cinco dias por lá, ela comenta algo sobre a morte das outras garotas? Essas garotas existiam mesmo?
Mas se pegar o final, e toda aquela mensagem clichê pré-adolescente. É possível que as lacunas deixadas sejam propositais, em uma relação de que, assim como nossa vida, podemos escolher a história que quisermos.
:D