quarta-feira, 6 de abril de 2011

O fim de Harry Potter



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Rupert Grint, Daniel Radcliffe e Emma Watson na época do primeiro filme, Harry Potter e a Pedra Filosofal


Sei que ao ler esse título, muita gente vai perguntar se eu estou falando sério em falar de Harry Potter. Sim, eu estou. Muito antes de virar meme no twitter e ser alvo da igreja e dos religiosos mais fervorosos, as aventuras do menino bruxo fazem parte da vida (e da rotina de férias) de muita gente na minha faixa etária. Me lembro do final do ano passado estar tentando almoçar, no tal almoço de confraternização do escritório (aqueles que acontecem no fim do ano), e ser interrompida por uma menininha de oito anos que perguntava freneticamente e queria respostas imediatas no que pra ela era uma guerra de conhecimento contra um titã. Não que eu seja uma fã louca viciada que decora todas as palavras, mas digamos que eu tenho uma boa memória. Luísa, o nome dela, é a filha mais nova da minha chefa, inteligente, esperta e hiperativa, tive que responder desde qual é a senha para entrar no escritório de Dumbledore (gota de limão) a quais as formas de destruir uma Horcrux (fogo maldito - magia proibida, veneno de basilisco, blá blá.) e quais os cheiros favoritos de Hermione (grama recém-cortada, pasta de dente de hortelã, pergaminho novo) - eu avisei que ela era hiperativa. O fim inevitável, agora da série de filmes, deixou uma vontade de falar, de relembrar, de comentar, e de defender Harry Potter com unhas, dentes e magias. Não vou citar resumos, não vou falar de maneira prolongada a respeito de nenhum personagem, acho que ninguém aqui precisa disso.


Harry Potter e o Cálice de Fogo
Harry Potter, menino não tão bonitinho como era o Daniel Radcliffe criança, Hermione Granger, que tornou-se a primeira nascida trouxa embaixatriz da Chanel na Inglaterra, Rony Weasley.. ok, confesso que não sei nada sobre Rupert Grint exceto o fato que ele tornou-se um ruivo que eu pegaria muito fácil. Sem fugir a breguisse e ao clichê, cresci com eles, não vou negar! Sonhando com feijõezinhos de todos os sabores e sapos de chocolate. Cresci e também não posso deixar de ficar triste com muita coisa que escuto a respeito do livro, dos filmes, vindo de todos os lados, desde ateus céticos que não tem interesses por "historinhas infantis", pra gente que diz ter crescido, pro Papa e adeptos de estilos literários mais sérios e pomposos. Não gosto de julgar o gosto dos outros, não considero isso certo e gostaria que todo mundo fosse assim, gostaria eu mesma de ser assim o tempo inteiro..

Os religiosos fervorosos que como Bento, classificam a série de livros de Harry Potter como algo que possa corromper a mente do jovem no que diz respeito a religião, seduzindo ao paganismo e toda essa idéia precipitada que o Papa insistiu por muito tempo em "propagar". Devo dizer que religião sempre foi pra mim um tópico recorrente ao ponto de ser exaustivo para os outros conversar sobre essa mesma coisa sempre, minha irmã caçula que o diga. Nunca considerei religiosidade como algo que deva, obrigatoriamente, ser sempre igual e sempre seguindo a risca costumes, dogmas e tradições. O catolicismo para mim sempre pecou pela antecipação. Dizer para pais que creem num Deus que os filhos deles vão morrer queimados no inferno se não forem batizados, que nascemos com o pecado original e obrigar assim as crianças a seguirem uma doutrina que não compreendem sempre me soou extremamente covarde. Penso que por isso existem tantos católicos não praticantes no mundo, porque foram obrigados desde pequenininhos a acreditar em algo que não questionaram, pedir perdão por algo que fazem por vontade e não compreendem o porque de ser pecado. Sexo antes do casamento ainda é pecado?

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
 Não é no intuito de contra-atacar, mas sim de mostrar coisas que na minha opinião são graves falhas nesse sistema "religioso" cristão católico. Em momento algum o livro exalta criaturas e deuses que devam ser adorados ou odiados. Harry Potter é uma obra infanto juvenil, a intenção de livros infanto juvenis é de entreter e ensinar os jovens e crianças. O foco da história sempre levou em conta os valores da Família, a amizade verdadeira, a luta contra o mal como principal fachada. Digo mais, sendo bem específica, é possível ver alusão direta a três crimes que deveriam ser imperdoáveis (tortura, escravidão e assassinato) nas citadas maldições imperdoáveis; Cruciatus - a maldição da tortura, Imperius - a maldição do controle e Avada Kedavra - a maldição da morte. No mundo de Hogwarts esses crimes são punidos de maneira mais exemplar, quisera eu que houvesse uma prisão de azkaban no mundo real, talvez fosse mais fácil viver feliz e em segurança. Em Harry Potter, Voldemort é a personificação da ditadura, da guerra, coisas que em muitos lugares ainda assolam o mundo real, esse que eu e você. Harry, o garoto que perdeu os pais e é triste com isso, junto com amigos que estão dispostos a ir com ele até onde puderem, lutam - DE VERDADE - contra o mal. Pessoas que nem tem todo o poder que um Papa pode ter, lutando para atingir seus objetivos que não são egoístas e existem para um bem maior, de uma sociedade inteira.

Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1
Para aqueles que analisam a história do ponto de vista literário e a consideram de pouca qualidade (ou nenhuma), não tenho condições de argumentar utilizando conhecimentos técnicos, não os tenho, seria uma tentativa vã e ridícula. Mas vamos tentar de outras maneiras! A série - como repetida de forma exaustiva - foi escrita para o público infantil e jovem, acho que a forma como J.K. Rowling escreve, reflete desde o início uma intenção de evolução, assim como os personagens vão crescendo e saindo da infância até a adolescência e em seguida a idade adulta, seus leitores também o fazem, e ela, como escritora que evolui sua técnica no decorrer do tempo. Penso que os valores, acima de qualquer alusão a bruxaria, fazem da série de livros de Harry Potter algo que deve ser passado adiante, estimulado e tratado ao menos com respeito. Penso também que esses já citados valores - Família, amizade, coragem, inteligência.. - são responsáveis pelo conceito do que é certo e do que é errado que nós, jovens de 20 anos que trabalhamos e estudamos e temos real participação na sociedade, aprendemos quando eramos crianças. Uma criança que lê Harry Potter, não vai agir como Draco Malfoy praticando bullying com Neville Longbottom por ser "bobo", com Hermione Granger por ser nascida trouxa (o que pode ser comparado com racismo ou homofobia, não?) ou com Rony Weasley por ser pobre e uma série de outros personagens. Porquê? Porque nós sabemos, e elas saberão como se sentem aqueles que sofrem de preconceitos e brincadeiras maldosas na escola, na infância. Mas principalmente, uma criança que lê Harry Potter, aprenderá a não compactuar com isso, a ajudar um colega ou amigo que é tratado dessa maneira, uma criança que lê Harry Potter tem princípios, valores realmente importantes, amigos de verdade. Uma criança que lê Harry Potter é uma criança destinada a ser uma boa pessoa, um jovem que leu Harry Potter, você pode encontrar muitos por aí. Que tal começar a procurar?

Que tal três bons exemplos? (:

Próximo post: Estagiarisses - 3D tá com encosto! (07/04/2011 às 14:00)
Ao som de: Stereomood - mood: Happy

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