Essa sexta feira com certeza vai entrar pro calendário como um dos dias mais fodas do ano, talvez até da minha jovem vida até agora. 04 de fevereiro de 2011, primeira prévia do Grito Rock PE 2011, clube nox, 21hrs. Atrações? Johnny Hooker & Candeias Rock City, Voyeur, Diablo Motor, Nuda, Epcos, e ela, Maldita!
A quase quatro anos atrás no meio de uma conversa com M., eu descobri Maldita. Ele me mandou aquele velho link do you tube seguido de um: "escuta isso!". Fiquei imediatamente encantada com os dedos esqueléticos de Magrão percorrendo as cordas do baixolão.
Era Anatomia, a primeira de muitas letras que eu viria, a saber, de có e citar no meio de conversas insanas. Sexo, Amor, Necrofilia, Assassinato, Sangue. A temática era essa. Uma roda de violão na beira de uma praia à noite e uma casa simples cheia de manchas de sangue para todos os lados e estava pronto o cenário perfeito. Pequeno Erich ainda sem bigodes arrasta ela pela areia molhada da praia. link imediato: o anjo de Solfieri, Noite na Taverna, Álvares de Azevedo. Primeiro de muitos, que só aumentavam consideravelmente a quantidade de "caralho!" que saia da minha boca (risos).
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1. Intro / 2. Paraíso Perdido / 3. Santos & Pecadores 4. Passivo Agressivo / 5. Coágula / 6. Bastardos da América / 7. Anjo / 8. Embaixadores da Carne do Amanhã 9. Oblívio / 10. Presença de Espírito / 11. Moribunde 12. Seu Deus / 13. Tempo Perdido / 14. Solvente 15. O Sabbaticus Faça o download de "Paraíso Perdido" no site da banda: http://bandamaldita.com.br |
Paraíso Perdido (2007), segundo disco. A banda mudou de postura, soa mais maduro, porém, não menos sombrio. A guitarra pesa mais, a bateria pesa mais, o baixo está mais rápido, o vocal fica mais agressivo, mais gritos. Os efeitos sonoros permanessem, as falas descontinuadas no meio das letras também - com menos frequência dessa vez. O caráter social e de protesto está presente nas músicas de mais impacto do disco, Bastardos da América, Embaixadores da carne do amanhã, Seu Deus e Tempo Perdido transmitem idéias que batem com soco inglês na cara da sociedade comum. O olhar sai de dentro para fora, ainda temos letras introspectivas que falam daqueles velhos sentimentos confusos e obscuros, a narrativa ainda lembra uma conversa, mas diferente do disco anterior, soa mais como uma briga, um "eu falo, você escuta, calado!". Entretanto, faixas como Passivo Agressivo, Oblívio e Presença de Espírito têm falas que demonstram um interesse no outro, na opinião do outro, parece mais humano que "Mortos ao Amanhecer", parece maduro, enquanto o primeiro disco necessita de toda uma atenção pra captar os diversos aspectos presentes na música, Paraíso Perdido tem uma linguagem mais simples, é possível compreender melhor o que tudo quer dizer, o que não faz dele um disco menos complexo, posto que as temáticas são mais diversificadas. O Sabbaticus, a última faixa do disco, é um pouco complexa pra se definir em poucas frases. A princípio, o primeiro link que eu faço é de campo de concentração e extermínio, guerra. Mas logo após, "infanticídio", "suicídio", "dança das aberrações" serem citados, diga-me, não dá pra ter certeza absoluta que ela, era uma prévia para o próximo disco, Nero?
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1. Princípio Vital / 2. Cabeza de Vaca / 3. Fetichismo 4. Sinfonia (Para Gólgota) / 5. Cunilingua / 6. Mania / 7. Encontro do Marquês de Sade com Nelson Rodrigues no inferno / 8. Crepúsculo / 9. Dissertação do Papa sobre o crime seguido de orgia 10. Nero / 11. S.N.C / 12. Apocalipse Indígena 13. Estigma / 14. Garoto Nero / 15. Translúcido Faça o download de "Nero" no site da banda: http://bandamaldita.com.br |
Nero (2010), último disco lançado. A temática principal é cultura, civilizações antigas e/ou extintas e mitologia. O personagem principal da grande maioria das letras desse disco é Nero, imperador romano. Tratado no decorrer da história como um tirano, sua personalidade adentrou as inspirações da banda, promovendo altas "excentricidades" musicais bem vindas (já não bastava o fato de maldita ser única na produção nacional). Nas letras é fácil encontrar referências a figuras mitológicas e históricas, entre elas Dionísio (Deus grego do vinho) em Princípio Vital, Upã (Deus cultuado pelos indígenas sul-americanos) e a invasão dos portugueses em Apocalipse Indígena, referências ao Minotauro (isso é um chute que faz muito sentido rs) em Cabeza de Vaca, ninfas em Sinfonia (Para Gólgota) e assim por diante. A banda passa a ter uma sonoridade experimental mais evidenciada nesse disco onde é possível ouvir instrumentais inesperados, as músicas que mais me impressionaram nesse aspecto foram Garoto Nero, Cabeza de Vaca e Apocalipse Indígena, apesar de não serem as favoritas. Nero trata do ser humano de maneira profunda, em músicas como Mania, Feitichismo, Cabeza de Vaca e S.N.C, são citados termos específicos relacionados ao estudo de psicologia que reforçam o sentido da letra pra quem os compreende. Maldita continua tratando de temas polêmicos e abolidos por grande parte da sociedade, sim. Porém, a banda evoluiu em técnica de maneira considerável entre o primeiro disco e o lançamento mais recente.
A respeito do show, eu não tenho muito que dizer. Foi foda, do caralho mesmo, esperei muito tempo por ele e apesar de ter ido que assistir de vestido rosa florido tomara que caia - uma "ousadia" - foi tão envolvente que não me admira que outras "cocotas" que tenham ido pra assistir outras bandas tenha curtido (ao menos alguma coisa) do som totalmente separatista da Maldita! Quando Erich entrou no palco com aquela máscara, foi lindo! kakaka. A apresentação já começou a toda com Nero, que foi o último cd. Nada mais natural, a turnê do disco tem que fazer jus a ele. Mas como a Maldita só veio pra cá no Abril pro Rock de 2004 (ééé, a long time ago!) a banda incluiu na setlist músicas como o Homem do rosto cortado, Estrela de Fogo, A aclamada Anatomia, Bastardos da América e Seu Deus, dos discos anteriores, estas, foram cantadas junto pelos fãs fervorosos que aguardaram a banda durante tanto tempo. Houveram de fato pontos negativos, a setlist que precisou ser encurtada e eliminou músicas que muita gente esperava (como fetichismo ._.). Na minha opinião a set foi muito bem escolhida, exceto por uma música: Apocalipse Indígena. Não me entendam mal! Achei muito legal a idéia do fã, Riptor, eu acho, subir ao palco e citar o trecho falado da música que fala sobre a matança e invasão portuguesa, maaas, existem coisas a ser consideradas; Apocalipse Indígena é uma música forte, interessante, mas não é das mais representativas do disco, se foi necessário escolher músicas para serem eliminadas, certamente que ela deveria ter sido e dado lugar a por exemplo, Fetichismo. Em segundo lugar, o som não estava, digamos, preparado pra uma flauta doce, poxa vida! Foi todo um bom trecho da música desperdiçado (ao invés de colocar a flauta indígena apenas pra tocar com o play) com o digníssimo fã tocando. Gostaria de ter conseguido ouví-lo tocar e juro que não estou falando mal da capacidade do rapaz, apenas, a flauta sendo tocada na frente do microfone, com as caixas de guitarra e baixo a toda, não estava sendo útil em nada. Para concluir, gostaria apenas de comentar sobre os funcionários da Nox, que agiram de maneira verdadeiramente rude com alguns fãs e até com a própria banda (testemunha ocular ok? kkkk). Essa é a única foto decente que consegui tirar do meu querido celular filho da puta, valeu a pena só pela cara de demo do Magrão! Também fiz uma lista de reprodução do you tube com algumas das principais músicas dos três primeiros discos citadas nos resumos;







































Acho que você foi uma das pessoas que mais entendeu o que a banda quer dizer, em absoluto!
ResponderExcluirRealmente o som não estava muito adequado para captar um som de flauta doce com qualidade. Apenas de ter levado uma Flauta doce contralto (O dobro de tamanho da soprano), fui aconselhado pelo tecnico de som a usar uma Soprano, que tem um som de maior volume. Mas mesmo assim, o ruido do ambiente engoliu todas as notas graves, ou seja, quase toda a introdução.
ResponderExcluirÓtimo tópico, bem escrito, zero de clichê e com uma ótima crítica fundamentada. Parabéns, mostrou boa vocação para colunista. Mas boa sorte na Arquitetura.
++RiptoR++
Eu descobri agora que Maldita gravou uma das melhores músicas de Titãs "DISSERTAÇÃO DO PAPA SOBRE O CRIME SEGUIDA DE ORGIA"! Muito foda essa música, viva o Titãs nas antigas!!!
ResponderExcluirAh, Parabéns pelo Blog, bem tua cara Pink Sonequinha :D
Sério que essa música é de Titãs? Bom, vc sabe que eu nem curto tanto, só cabeça dinossauro e ainda assim não sei tantas músicas de có :~
ResponderExcluirTu também, enciclopédia musical! hahahaha.
e pink sonequinha é pros íntimos xuxu, não sai espalhando! ;)
Escute a versão de Titãs pra vc ver como é foda! E escute o cd deles que tem essa música, é o Titanomaquia, é tão bom quanto o cabeça :D
ResponderExcluirEu vou escutar esse cd de Maldita :)
Rafa, vc vive falando das músicas que Marcelo ouve, não sei se vai curtir a obra completa de Maldita, mas, ouça Nero! esse disco se superou! :D
ResponderExcluirHahaha, Okeijo ;D
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